A polêmica em torno do jogo de terror Horses reacendeu um debate delicado — e cada vez mais frequente — na indústria dos games: quem deve decidir o que pode ou não ser vendido? Para a GOG, plataforma polonesa de jogos digitais, a resposta é clara: não deveriam ser empresas privadas nem processadores de pagamento.
Após o título ter sido banido do Steam e da Epic Games Store no final do ano passado, a GOG tomou uma decisão firme e controversa: manter o jogo à venda em sua loja. A atitude veio acompanhada de um posicionamento público contra o que a empresa considera um avanço perigoso da censura comercial.
⚠️ “Deixar empresas definirem o que é aceitável é perigoso”
Em entrevista, Maciej Gołębiewski, diretor administrativo da GOG, foi direto ao ponto ao explicar a postura da empresa:
“Acreditamos na liberdade criativa, porque quando uma empresa, através de seus próprios termos de serviço, decide o que é bom e o que não é bom, é um caminho perigoso a seguir.”
Segundo ele, a remoção de Horses de grandes plataformas não foi motivada por ilegalidade, mas por pressões externas, especialmente de processadores de pagamento como Visa e Mastercard, que juntos controlam mais de 90% do mercado global de pagamentos digitais.
🧟 Um jogo controverso, mas não ilegal
O banimento quase levou ao fechamento do estúdio italiano Santa Ragione, responsável pelo game, ao cortar o acesso a algumas das maiores audiências pagantes do mundo. Para a GOG, a situação é um exemplo claro de como decisões comerciais podem asfixiar a criatividade independente.
“Somos uma loja com curadoria. Jogamos os títulos que vendemos”, explicou Gołębiewski.
“O jogo é controverso, sim, mas não há nada nele que justifique sua proibição.”
Para a empresa, o papel de decidir o que é legal ou ilegal cabe aos governos e reguladores democráticos, não a corporações financeiras.
🧠 Liberdade criativa como valor central
O novo proprietário da GOG, Michał Kiciński, foi ainda mais direto:
“A curadoria é um privilégio de cada plataforma. A diferença com Horses é simples: nós jogamos o game e achamos que ele era muito bom.”
A fala ganha ainda mais peso diante do novo momento da empresa. Desde dezembro, a GOG tornou-se independente da CD Projekt após 17 anos de história compartilhada. Curiosamente, Kiciński é cofundador tanto da GOG quanto da CD Projekt, tendo deixado esta última em 2012, embora permaneça como acionista relevante.
🚀 Independência e ousadia no horizonte
Livre das amarras corporativas, a GOG agora afirma estar disposta a assumir riscos maiores. Kiciński já declarou que não teme decisões ousadas, inclusive uma possível entrada no mercado de publicação de jogos indie.
Em um cenário onde lojas digitais parecem cada vez mais alinhadas a interesses externos, a postura da GOG surge como um contraponto raro, reacendendo discussões sobre liberdade artística, censura indireta e o futuro da distribuição digital de games.
📌 Fonte: Eurogamer
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