O “Life is Strange 3” que nunca existiu, mas que sempre merecemos.“
Lost Records: Bloom & Rage” é o novo
jogo da Don't Nod, o mesmo estúdio por trás do maravilhoso e inesquecível Life
is Strange. Tanto o primeiro quanto o segundo título da franquia me
proporcionaram algumas das experiências mais marcantes que já tive dentro de um
videogame. No entanto, após esses dois capítulos, a série seguiu por outros
caminhos: a Square Enix assumiu a propriedade e publicou Life is Strange:
Before the Storm e True Colors, ambos desenvolvidos pelo estúdio Deck Nine.
Com isso, a Don't Nod se afastou da franquia
que criou — mas não do estilo que a consagrou. A resposta do estúdio foi
ousada: criar uma nova IP que carrega o mesmo DNA emocional e narrativo, mas
com identidade própria. Assim nasceu Lost Records: Bloom & Rage.
Diferentemente de Life is Strange, aqui não
há poderes sobrenaturais, manipulação do tempo ou qualquer elemento fantástico
no centro da trama — e o jogo chega a brincar com isso diretamente. Em vez
disso, somos conduzidos por uma narrativa mais pé no chão, realista, íntima e
profundamente humana, que tem na amizade seu maior trunfo.
O ponto forte de Lost Records está
justamente na construção das relações entre as protagonistas — um grupo de
adolescentes noventistas que se conheceu no verão de 1995 e criou laços
inquebráveis. O jogo se desenrola em duas linhas temporais: uma ambientada nos
anos 90, durante o nascimento dessa amizade, e outra no presente, com as
personagens agora adultas, na casa dos 40 anos, tentando confrontar segredos
enterrados há décadas.
Para quem, como eu, nasceu em 1984, o jogo é
uma cápsula do tempo. A ambientação noventista é feita com um carinho que salta
aos olhos: desde os cenários e roupas até a trilha sonora nostálgica que
mistura pop suave e rock alternativo — marcas registradas da Don't Nod. A
trilha não apenas embala, mas ressuscita memórias, em especial para quem viveu
aquele período.
Falando em imersão, o áudio é outro show à
parte. Com efeitos sonoros detalhados, especialmente nas áreas florestais, o
jogo cria um ambiente vivo e envolvente. Testei o game com uma placa dedicada
Sound Blaster AE-7 e um sistema Logitech 5.1, e o resultado foi simplesmente
fantástico. O som ambiente, os pássaros, o vento entre as árvores — tudo está
ali, com um realismo impressionante.
Visualmente, Lost Records é de cair o
queixo. Rodando na Unreal Engine 5, o jogo apresenta uma estética que, por
vezes, me deu a sensação de estar assistindo a um filme da Pixar. O nível de
detalhe é altíssimo, embora eu tenha notado alguns stutters ocasionais em
determinadas áreas — nada que comprometa a experiência.
Agora, uma pequena crítica pessoal (com bom
humor): a quantidade de espinhas no rosto da Nora é algo que quase me deu
agonia... (risos). Mas fora isso, não há do que reclamar. Também vale destacar
um ponto positivo: não senti nenhuma “lacração” forçada ou desconectada do
contexto — o jogo respeita a inteligência do jogador e deixa as decisões nas
mãos dele, como deve ser.
🧠 Conclusão
Lost Records: Bloom & Rage brilha como o
verdadeiro Life is Strange 3 — aquele que nunca existiu oficialmente, mas que
muitos fãs sempre desejaram. É uma obra tocante, madura, emocional e
profundamente imersiva. Um dos jogos narrativos mais complexos e bem escritos
que já joguei. É o tipo de título que me faz querer rejogar, estudar, explorar
todas as escolhas — tudo para alcançar o final perfeito.
Minha nota final para essa joia rara? 8.8.